quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

AARON GILLESPIE FALA SOBRE SEU PROCESSO CRIATIVO E ELOGIA PARAMORE EM ENTREVISTA



Em uma entrevista descontraída para o site Indie Vision Music, Aaron Gillespie, o baterista de turnê do Paramore, falou sobre seu novo álbum, Grace Through the Wandering, com participação de Jon Howard, guitarrista de apoio da banda, e contou um pouco de sua experiência com Hayley Williams, Jeremy Davis e Taylor York, elogiando nosso trio favorito.
O músico também falou sobre a banda Copeland, com a qual o Paramore fará uma série de shows.



Confira a tradução  da conversa por telefone, com Ian Zandi, na íntegra! Confira:

A matéria a seguir é uma entrevista pelo telefone com Aaron Gillespie, com quem eu tive o prazer de fazê-la. É minha primeira entrevista “real” de (esperançosamente) muitas outras.

Os assuntos incluem seu novo álbum, Grace Through the Wandering (disponível no dia 3 de fevereiro), planos de turnês, seu tempo com o Paramore, Breaking Bad, música e coleção de vinis. Uma curiosidade sobre a entrevista… meu nariz começou a literalmente jorrar sangue na metade dela. A mudança rápida de tempo não combina comigo. Não contei isso a ele, mas foi uma coincidência estranha, considerando que o mesmo aconteceu depois de 20 minutos, a alguns estados de distância. Leia a entrevista toda abaixo e comente depois. Aproveitem!

IZ: Oi, aqui é o Ian Zandi com a Indie Vision Music.

AG: E aí, cara?

IZ: É o Aaron?

AG: 100%!

IZ: Maravilha, muito bom conhecer você, cara!

AG: Muito bom conhecê-lo também!

IZ: Haha, como você está?

AG: Desculpe-me por assoar o nariz… estou em Albuquerque e o clima está super seco, meu nariz está sangrando e esse tipo de coisa. É estranho.

IZ: É, o clima está estranho na California também. Eu não sei o que está acontecendo, ele não consegue se decidir.

AG: Quando eu estava em Rhode Island no fim de semana passado, houve uma nevasca gigante, eu voei para cá na segunda, mas quase ficamos presos por lá.

IZ: Ah meu Deus.

AG: Pois é, cara.

IZ: Você está pronto para a entrevista?

AG: Estou!

IZ: Ok então. Você tem um álbum que será lançado no começo de fevereiro, chamado Grace Through the Wandering…

AG: Uma semana a partir de hoje, irmão.

IZ: É hoje?

AG: Ah, não. Daqui uma semana.

IZ: Ah, entendi… uma semana a partir de hoje, eu fiquei tipo “Eu perdi a data, era hoje?!”. Haha. Você pode nos contar um pouco mais sobre o título e o álbum como um todo?

AG: Sim cara, é meu segundo álbum de adoração. Eu lancei o primeiro em… 2012? Era chamado Anthem Song, meu primeiro projeto solo, sabe? Este é um trabalho de adoração, mas é mais que isso, eu odeio essa palavra, mas eu acho que é um pouco mais “artístico”. Eu o produzi durante uns quatro ou cinco meses enquanto estava em turnê com o Paramore, tocando bateria. O Jon [Howard], que também toca no Paramore, um amigo muito querido, ótimo produtor e músico, me ajudou. Nós fizemos tudo em um notebook.

IZ: Ah, nossa!

AG: Nós alugamos uma sala de estúdio por um dia em Los Angeles. Meio que “jogamos” tudo. Somente durante a turnê Self-Titled gravamos realmente o álbum. É um álbum de adoração, um pouco diferente para mim, comparado ao outro. O título é como a jornada da minha vida. Eu vaguei um pouco e fiz bobagens na minha vida. Mas eu acredito que existe certa graça nisso tudo. É um título meio pessoal.

IZ: Isso é ótimo, cara, obrigada por compartilhar. Quais você diria que foram suas influências, liricamente e musicamente, no álbum? Eu ouvi algumas músicas… houve um pouco de inspiração no U2 ali?

AG: Sim, tem um pouco de U2. Eles, o antigo som do MGMT, e um pouco de Tears For Fears.

IZ: Ah, eles são incríveis.

AG: É engraçado como as coisas voltam para os anos 80. O álbum incrível da Taylor Swift, que ela acabou de lançar, é muito dos anos 80. É um dos melhores álbuns que ouvi em um bom tempo. É um pouco disso. Entende o que eu digo?

IZ: Hmmm. Tem uma música em particular que eu ouvi, chamada “Hold Me Close”, está correto?

AG: Sim.

IZ: Soa um pouco diferente de todas as outras músicas que você fez. Qual foi a ideia por trás dela?

AG: Foi, na verdade, a última música que fizemos. Jon e eu estávamos em um quarto de hotel e estava nevando. Nós tivemos um dia de folga e o ônibus estava estacionado no hotel. Jon e eu fizemos nossa música. A maioria das músicas que nós fizemos foram gravadas em 15 estados diferentes, durante a turnê auto-intitulada do Paramore. Foi uma música do tipo ‘está nevando lá fora e nós estamos presos aqui’. Ele só começou a juntar os instrumentos e nós escrevemos em cima disso. Eu acho que o irmão dele tocou o baixo para nós, e eu toquei bateria no final, e deu nisso. Eu estou orgulhoso. Super diferente, eu sei o que você está dizendo.


Foto publicada por Jon Howard no Twitter.

IZ: Muito legal. Eu sei que você disse que entrou em turnê com o Paramore. Existe algum plano futuro com a banda? Eu acho que eles entrarão em uma turnê com o Copeland. Você estará lá?

AG: Sim, você pode me encontrar lá, cara.


IZ: Bem, com que banda você diria que gosta de tocar mais? Seu trabalho próprio, Underoath, The Almost, Paramore….?

AG: Eu gosto de todas, por diferentes motivos. O Paramore foi libertador para mim. É legal poder tocar com eles. O trio da banda faz a diferença. Eu os conheço há um tempo. Conheço a Hayley desde que ela tinha 14 anos.

IZ: Ah, nossa! Muito tempo.

AG: É muito legal vê-los crescendo e se tornando uma banda tão grande, e ótimos compositores. “Ain’t It Fun” foi uma das melhores músicas lançadas no ano passado. Eu realmente acredito nisso, eu posso dizer isso a você porque passei muito tempo com eles, eles são as melhores pessoas no ramo. Eu acredito muito nisso. Eles são meio ‘o que você imagina é o que você consegue’. Não existem mentiras com essa banda. Eles são reais, 100%. Sabe o que eu quero dizer? Eles são quem eles são. Isso transparece na música, e eu acho que é por isso que eles fazem tanto sucesso, entende?

IZ: Entendo.

AG: É muito legal fazer parte disso e sentar atrás deles no palco. Eu não pude tocar bateria por 4 ou 4 anos e meio. Eu não havia tocado desde que saí do Underoath em 2009. Voltar para a bateria foi muito saudável para mim.
IZ: Você demorou para aprender as músicas deles ou você já as sabia de cabeça?

AG: Foi muito rápido, cara. Nós não tivemos muito tempo. Foram circunstâncias interessantes, mas estou agradecido por ter dado certo.

IZ: Isso é ótimo. Você tem planos futuros de turnê com o seu trabalho solo? Eu soube que você ia entrar em turnê com o álbum do The Almost, Fear Inside Our Bones, mas você foi para o Paramore. Você vai fazer algo com ele?

AG: O Fear Inside Our Bones não funcionou. O desenvolvimento deste álbum não deu certo.

IZ: É um bom álbum, no entanto…

AG: OBRIGADO! Eu acho que vivemos em uma época em que as pessoas não querem ouvir rock desse jeito… com a afinação padrão, rock n roll sujo. Nós gravamos o álbum inteiro em apenas três dias. Eu gosto muito do álbum mas eu acho que não foi a época certa para lançarmos. Então eu acho que entrar em turnê com ele não seria inteligente ou lucrativo. Sabe o que eu quero dizer? Eu nem estou falando sobre lucros financeiros. Eu digo, lucrativo de forma alguma. Eu acho que as pessoas gostariam de um reencontro do Underoath, ou então um projeto só meu. Acho que o The Almost colocou um gosto na boca das pessoas, do qual elas não gostaram, então precisamos deixá-lo adormecido por um tempo. Nós veremos o que acontecerá. Nós vamos mexer nele de novo em breve, eu acho.



IZ: Faz sentido. Então, você entrará em uma turnê solo por um tempo, certo?

*Longa pausa*

AG: Durante boa parte do inverno, com certeza. Eu tenho uma turnê que ainda não posso anunciar e algumas outras coisas. Por enquanto, só estou fazendo algumas coisas aleatórias. Produzindo alguns álbuns e coisas do tipo. Meu álbum sai semana que vem, e depois eu vou para a estrada.

IZ: Isso é legal. Que outros álbuns você está produzindo?

AG: Estou produzindo um álbum gospel para uma igreja em Albuquerque, então fico indo e vindo para cá por grande parte do tempo, como fiz por 3 ou 4 meses. Eu tenho um apartamento aqui. Tudo é muito morto em Albuquerque, esta é a parte ruim.

IZ: *Ri muito*

AG: Não tem grama, não ter árvores. Meu nariz sangra toda manhã. Sabe, estou vivendo um sonho.

IZ: É a cidade de Breaking Bad, não é?

AG: Sim! Você pode ir para a casa… a casa do Walter White.



Z: Eu não sabia. Eu pensei que era só um set! Eu amo a série.

AG: Você pode entrar lá, é super legal. Sabe o lava-jato?

IZ: Sim! O que ele compra?

AG: Tem um esboço de uma loja de doces que inventou a droga que eles criaram. É na verdade um doce. Sabe aquela coisa azul? Seja lá qual for o nome daquilo… você pode comprá-la de verdade. É um doce com gosto de algodão doce.

IZ: Que louco, cara. Voltando um pouco ao assunto, há alguma música co-escrita por você? Ou você só está produzindo mesmo?

AG: Eu co-escrevo várias coisas. Eu assinei um contrato de publicação há alguns anos. Eu co-escrevi muitas coisas nos últimos 4 ou 5 anos.

IZ: Você pode dizer para quais bandas, ou não é permitido?

AG: Não, não posso. Não funciona dessa forma.

IZ: Ah, tudo bem. Só estava curioso. Você tem ouvido músicas novas ultimamente? Alguma banda em que você colocou o olho?

AG: Hm, o novo álbum da Taylor Swift é muito bom. Eu amo o álbum do Bleachers, de Jack Antonoff. É brilhante, incrivelmente brilhante, cara.



IIZ: Sim, sim, eu sei sobre o que você está falando.

AG: Eu também ouvi o novo Copeland, que é brilhante.

IZ: Ah meu Deus *em um tom meloso*

AG: Essa é minha galera, cara! Eu cresci com esses caras. O Underoath costumava sair em turnês com o Copeland quando a banda era chamada “Ev Angel”.

IZ: Ah, eu não sabia disso.

AG: Sim, antes de serem chamados de Copeland. Eu posso ter problemas por estar dizendo isso, mas eu não ligo. É, cara, tenho ouvido tudo isso ultimamente. Também tenho escutado e repetido o álbum do Brandon Flowers de 2010. Lembra dele, Flamingo?

IZ: Ah sim! O projeto solo, fora do The Killers?

AG: Sim, cara. Aquele álbum é perfeito, cara. Eu amo aquele álbum. Battle Born do The Killers… eu também tenho ouvido bastante recentemente. Só para referência, o álbum que eu estou produzindo agora tem um pouco dessa vibe. Eu tenho usado esse álbum como referência ultimamente. É algo que está fluindo para mim. Eu gosto do novo do Ryan Adams. Um pouco disso tudo.

IZ: Você levaria seu trabalho gospel para a Warped Tour, ou você acha que isso só pertence às arenas de igrejas?

AG: Vou fazer o que eu puder, cara. Eu sou todo sobre os lugares onde as pessoas me querem, e onde quer que elas queiram, eu estarei lá.

IZ: Legal, um show em qualquer lugar?

AG: Sim, é uma época diferente. Digo, o Underoath acabou. Eu estou envelhecendo.

IZ: *Ri*

AG: Para mim, não é muito mais sobre a imagem. É sobre ajudar pessoas e empurrar coisas para a frente. Eu estou tipo, onde quer que vocês precisem, eu farei.

IZ: Você trabalhou um pouco na Africa há alguns anos, estou certo?

AG: Sim, Uganda. Minha esposa e eu fomos para lá e visitamos alguns hospitais de AIDS e algumas coisas diferentes. Eu sou muito agradecido por termos feito isso.

IZ: Você pensa em voltar para lá, para fazer algo no futuro, ou isso é um capítulo encerrado?

AG: Nós falamos sobre isso recentemente. Eu escrevi um e-mail há alguns dias, sobre voltar para lá. Então, nós veremos. *tosse* Desculpe, cara. Eu sou da Florida. É o ar seco daqui. Eu iria morrer lá fora.

IZ: Acostumado com tudo úmido?

AG: De qualquer forma, eu ainda acho que é uma boa receita no nosso prato. É só questão de tempo. Quando, como, tudo isso.


IZ: Ok, então eu vou entrar em um assunto completamente diferente agora. De qualquer forma, é algo importante para a indústria da música. Streaming [forma de distribuir informações de áudio e vídeo pela Internet, por meio de pacotes]. O que você acha disso? Você apoia, só suporta…?

AG: Bom, você não pode decidir muita coisa quando é um artista

IZ: *Ri muito*

AG: Eu acho que vivemos em uma era diferente de todas as outras. O que eu quero dizer é que, nos anos 50 e 60, as pessoas compravam singles. Álbuns não estavam disponíveis ainda. Nos anos 70, os álbum chegaram com força. Agora eu acho que voltamos para a época dos singles. As pessoas estão comprando, mas você pode fazer isso por meio dos streams. Eu apoio isso. Eu tenho uma conta que pago todos os meses. Eu ouço todo tipo de álbum e música. Para mim, é muito lucrativo para bandas novas. Eu lembro de quando comecei a tocar com o Underoath, eu tinha 15 anos. Era 1998 e não havia jeito de lançar a música por aí. Nós tínhamos fita-cassete. A primeira coisa que nós vendemos nos shows e em nossa cidade natal. Era muito difícil fazer as pessoas ouvirem. Nós tivemos sorte de conseguir um contrato que funcionou. Agora você pode simplesmente gravar pelo seu iPod ou iPad e colocar online. Dentro de 15 minutos, o mundo todo tem acesso… mas, mesmo assim, se você é um músico de carreira, é difícil. Se você está acostumado a vender álbuns, como eu fui abençoado por poder fazer na vida, e as pessoas param de comprá-los, é difícil. Cria uma aversão. Mas, enquanto eles puderem ouvir, eu não ligo.

IZ: Eu acho que os discos de vinil também estão voltando. Você é um fã ou só gosta de mídias digitais?

AG: Cara, quando eu era criança, foi dessa forma que eu passei a gostar de música. Meu pai bebia muito Miller Lite [cerveja que teve sua explosão de vendas na década de 90] toda sexta-feira. Ele tinha muitos LPs, que colocava para mim. Foi a primeira vez que percebi o que eu queria fazer. Só ouvir álbuns com meu pai na sexta-feira. Ele se mudou para o norte quando meus pais se divorciaram. Quando eu estava no colégio, ele me deu todos os álbuns. É algo que eu amo muito. Eu acho que é muito legal ter uma coleção. Sempre que eu publico “Ei, eu tenho um novo álbum, que será lançado…”, a primeira pergunta típica é “Está disponível em vinil?”. Eu acho que isso é uma coisa bonita. É uma época boa, a que estamos vivendo agora. Eu amo vinis, sim.

IZ: Isso é ótimo. Você comprou algum vinil recentemente, ou só gosta de ver a tendência voltando?

AG: SIM! Eu comprei o novo disco do Ryan Adams, do Coldplay, do Copeland…

IZ: Awww, deve ser muito bom em vinil…

AG: Cara, é realmente muito legal. Eu passei por uma fase na qual eu comprava tudo que eu escutava, em vinil. Sabe, o álbum do Jimmy Eat World, Bleed American

IZ: Ah meu Deus, muito bom

AG: E também o álbum do At the Drive In, Relationship of Command… coisas que eu cresci ouvindo que eu não tive a chance de ter em vinil, eu passei por uma fase de comprar todas. Alkaline Trio… eu comprei um monte de cores diferentes do Tell All Your Friends, do Taking Back Sunday, que são muito legais. Tipo, cinco cores diferentes. Eu achei os cinco discos do Underoath, do They’re Only Chasing Safety, em vinil. Com as cinco cores também.

IZ: Que legal, onde você encontrou?

AG: Na loja onde compro discos. Eu achei um raro lá. Só existem 200 daqueles, e eu não sei quem encontrou, copiou, ou como aquilo chegou ali haha. Fiquei muito animado com ele.

IZ: Certo, bem, eu acho que estou ficando sem questões. Há algo mais que você queira dizer?

AG: Não tem, Ian. Muito obrigado por ligar!

IZ: Espero que sua tosse melhore. Pegue um pouco de umidade!

AG: Cara, estou morrendo aqui. Eu literalmente me sinto como um fumante. Eu não sei o que há de errado comigo.

IZ: Bem, se cuida, cara. Obrigada!

AG: Até mais, cara.


Fonte: Paramore Brasil

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