quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Hayley para a Bust Magazine: “As pessoas não sabem quantas coisas eu deixei de fazer em pra não se tornar ‘o show da Hayley’”

Depois de um ensaio fotográfico de tirar o folêgo, Além disso, a publicação deste mês trás uma entrevista muito interessante com a nossa vocalista, onde ela mostra o seu lado feminino, delicado e até mesmo íntimo. Ela ressalta o quão preocupada é com suas fãs mulheres e mostra que deve protegê-las e dar força e poder à elas. Hayley também expôs a sua opinião sobre a carta que os irmãos Farro escreveram ao sairem da banda declarando que não queria ser apenas fantoches dela. A ruiva alega que as pessoas não sabem todas as oportunidades que ela perdeu para não fazer do show do Paramore o “show da Hayley”.
Esses e muitos outros tópicos legais, você confere na matéria traduzida logo abaixo:

Por algumas vezes, Hayley Williams, a vocalista da banda Paramore, parece uma garota normal de 25 anos. Ela é durona, faz compras em brechós e ama experimentar todas as cores no seu cabelo. De fato, apesar da sua multidão de seguidores no twitter (por volta de 3,5 milhões), os inúmeros websites voltados para a sua opinião e vestimentas, e a análise obsessiva demais da mídia sobre as coisas que ela faz, Hayley é chocantemente normal. Tão normal que, enquanto conversa com ela, você quase esquece que os seus planos para quinta-feira à noite envolvem assistir House Hunters, enquanto os dela consistem em tocar em um show lotado com direito a sold-out dos ingressos no Wembley Arena em Londres. O fato é que ela é demais. Todos os quatro discos da sua banda foram disco de ouro e de platina, e ela sempre foi a primeira personagem feminina do jogo mais popular, o Guitar Hero.


Quando se apresenta, Hayley é como um foguete, voando pelo palco usando seu tênis Converse enquanto sacode seu cabelo laranja. Ela é uma pessoa tão corajosa quanto a sua linda voz, a qual ela emprega perfeitamente em sua banda com hinos atemporais, um toque de hard rock e também baladas. Em uma veia muito similar a No Doubt e Avril Lavigne, o Paramore toca o que você pode chamar de “happy punk”, e como resultado, a banda foi criticada pela impressa por não serem nada além de uma banda pop fofinha. E desde que as críticas são tipicamente ásperas sobre qualquer banda que tenha como fãs as meninas adolescentes, tem muita gente esnobando diretamente o Paramore. Mas mesmo se você não for fã da música deles, Hayley Williams merece a sua atenção porque, diferente de qualquer outro ídolo pop na sua memória recente, ela está liderando jovens seguidores dentro da boca do feminismo. Ela falou sobre sexismo e misoginia na indústria da música; apoio à fundação Love146, uma organização de caridade que luta contra o tráfico de sexo; e instruiu os seus seguidores a ler o livro Girl to the Front, o livro que conta a história de Sara Marcus, uma garota revoltada.
Hayley começou a perseguir os seus sonhos musicais em 2002 quando ela se mudou da sua cidade natal em Mississippi para Franklin, Tennessee, e começou a ter aulas vocais perto de Nashville. Ela foi contratada pela Atlantic Records em 2003 com 14 anos. Mas, ao invés de se tornar uma diva pop que seus produtores imaginavam, ela queria estar à frente de uma banda alternativa. Na mesma época, ela se tornou amiga de alguns garotos da igreja que estavam tocando juntos em uma banda de rock (embora não tocassem especificamente rock cristão). A gravadora concordou com a ideia da banda e em 2005 o primeiro álbum do Paramore foi lançado. Hayley tinha meros 16 anos. Aquele álbum, All We Know Is Falling, foi bem recebido, porém, sem um grande sucesso. Mas tudo mudou em 2007 quando o seu próximo lançamento, Riot! – ele foi disco de platina e garantiu colocações para a banda nos charts da Billboard.

Logo depois, em 2010, a coisas se tornaram dramáticas para o Paramore. Dois dos seus membros fundadores (um dos quais é o ex-namorado de Hayley) deixaram o grupo. Uma carta aberta que eles postaram no site oficial logo depois foi muito específica sobre as razões do rompimento: os membros afirmam que saíram porque, em parte, as direções que o Paramore estava tomando iam contra as suas crenças cristãs e, por outra parte, porque eles estavam cansados de “ficar na aba dos sonhos da Hayley”. Mas por mais que aqueles membros fundadores talvez não concordem, vamos ser sinceros – o Paramore deve agradecer muito à Hayley por suas habilidades. Para saber: quando eu pergunto uma amiga se ela conhece a banda, ela imediatamente responde: “Essa é aquela banda que a vocalista é realmente incrível?” A saída dos dois membros certamente não destruiu o grupo; na verdade, o seu primeiro álbum desde que a eles saíram, o auto-intitulado de 2013, foi recebido com boas críticas pelo mundo inteiro, ganhando resenhas brilhantes desde a Entertainment Weekly até o The New York Times.

O rompimento da banda não foi a única indignação que Hayley sofreu perente os olhos do público. Mais tarde no mesmo ano, uma foto dela nua vazou na internet e todos os garotos e garotas estavam comentando sobre o tamanho dos seus seios. Mas Hayley passou pela tempestade com serenidade, brincando sobre o incidente na imprensa e voltando com a sua moral intacta.
Ela pode ser a frontwoman de uma das bandas de rock mais bem sucedidas por aí, mas Williams ainda se comunica abertamente com os seus fãs pela internet; ela está mais do que disposta a deixar eles atrás da cortina do seu estrelado. Postando uma foto sobre uma publicação que saiu de uma revista gongando a sua roupa, ela brinca “receber um ‘não’, é como ganhar um Grand Supreme para mim. Obrigada por reconhecerem toda a minha indiferença por toda as suas expectativas sobre mim.” A foto recebeu mais de 55 mil likes do seus seguidores. Isso também é um aspecto importante da posição cultural de Hayley em relação a cultura pop: os seus fãs não seguem somente ela, eles a idolatram. Em incontáveis posts em websites em homenagem à vocalista, eles a chamam de forte e dinâmica, heroína, deusa, sua maior inspiração e, com certeza, o seu principal modelo.
Com tanta atenção direcionada à Hayley Williams, nós nos sentimos honrados e surpresos por ela estar prestando atenção à BUST, nos mandando tweets várias vezes nos últimos meses. E quando ela aceitou estar na nossa capa, ela estava muito animada para falar sobre feminismo e a revista que ela especificamente pediu para ser entrevistada. Nossa conversa completamente engraçada e sem pretextos, relevou que Hayley é apenas uma mulher descontraída a qual não é capaz de fingir ser alguém que ela não é. Embora ela tenha, segundo sua conta no twitter, “talvez 10 minutos de sono” uma noite antes da entrevista, Williams foi completamente charmosa. Essa estrela do rock é completamente real.
Bust: Quando nós ficamos sabendo que você gostava da BUST, nós ficamos nos perguntando “mas porque diabos ela nos conhece?”
Hayley: Primeiro de tudo, eu tenho os mesmos pensamentos. Eu não sei porque diabos vocês sabem que eu sou, e estou tão animada! Na verdade, minha avó assinou a revista para mim como presente de natal no ano passado – nós vimos a revista no Whole Foods, e então tinham todas essas dicas e sugestões de DIY [“do it yourself”, em tradução livre: faça você mesmo], e isso é exatamente o que eu gosto. Eu não posso dizer o quão animada e honrada eu realmente estou por estar na capa. Eu vou ficar louca quando ver [a capa]. Eu vou urinar nas minhas calças de látex.
Quando você era criança, o que você imaginava ser quando crescer?
Hayley: Cara, eu sempre quis estar em uma banda. Quando eu estava no primeiro ou segundo ano, eu saia por aí e recrutava pessoas para essa “banda” que aparentemente eu estava. Eu acho que a camaradagem da coisa toda realmente pareceu interessante pra mim; eu gostei da ideia de você estar em uma pequena gangue de amigos, viajar pelo mundo todo e tocar as suas músicas. Isso não era interessante até eu completar meus 9 ou 10 anos, quando eu realmente comecei a curtir cantar e então, quando fiquei um pouco mais velha, as pessoas começaram a me falar como eu tinha uma voz boa. Eu também queria muito sair da minha cidade natal, e a música sempre pareceu uma forma perfeita de… não escapar, mas apenas me divertir, sabe? Viver uma viva incrivelmente completa.
Você se considera feminista?
Hayley: Sim, eu considero! Eu não sou uma pessoa super política, mas para mim, [o feminismo] é uma coisa muito social – eu olho para garotas mais jovens e penso “eu quero te dar algum poder. Eu quero que você se sinta como eu me sinto nos meus dias mais fortes, a todo o momento.” Mas sim, eu me identifico absolutamente com o feminismo, e eu estou realmente muito orgulhosa que eu estou surgindo de uma geração que está tomando seus rumos. Eu, certamente, não era tão espera ou impulsionada, nem aberta para educação como várias garotas mais novas que eu vejo agora; por exemplo, a revista Rookia e as garotas por trás disso como, por exemplo, Tavi Gevinson. Eu penso como é ter a idade dela, e o quão ingênua eu era para todas as coisas que ela sabe e quer fazer uma diferença. Mas é tão legal ser uma garota e é incrível poder dar esse poder a alguma delas.

Enquanto existem várias mulheres mais jovens que se identificam orgulhosamente como feministas, outras várias que estão no destaque da mídia se envergonham ao se rotularem como tal. Você acha que é importante se chamar de feminista?
Hayley: Eu acho que é importante sim. Eu acho que se nós ainda estamos falando sobre o esquecimento do controle de natalidade e outros milhões de tópicos que são da idade das pedras… é importante para as mulheres se unirem, se sentirem orgulhosas e fortes, e trabalharem duro para serem ouvidas. Mas eu diria que pra mim, pessoalmente, quando alguém me pergunta: “Você é uma feminista?” então eu vou dizer que sim. E você sabe por quê? Porque eu sou uma garota – porque eu não seria?
Eu joguei no Google um monte de coisas sobre você, e o nível que as pessoas te observam online, te analisando e falando sobre o seu relacionamento é insano. Já que existem tantas garotas novas te observando, tem alguma coisa que você faz para impressionar elas? Você se sente responsável por elas?
Hayley: Eu sinto um certo senso de responsabilidade só porque eu sei que eu tenho esse microfone e posso dizer o que sinto. Eu quero que as pessoas sintam alguma coisa que movam eles através da música. E eu quero, especialmente das garotas jovens que vão aos nossos shows, que elas possam sentir como se fossem elas naquele palco. Eu não posso me sentir responsável por cada pessoa – eu tenho mais o objetivo de apenas fazer um impacto positivo num todo, embora eu saiba que isso é um clichê. Eu acho que apenas tenho que sair por aí e ser quem eu sou, e saber que erros acontecem também, e estar preparada para pedir perdão se isso acontecer. Ou então estar preparada para não pedir desculpas e dizer: “Você quere saber? Essa é a minha vida e é dessa forma que eu vou viver.”
Você já experimentou pessoas violando a sua privacidade, como quando aquela foto sua nua vazou e o que aconteceu durante a ruptura da banda. Você já pensou em deixar toda essa confusão de lado e fazer alguma outra coisa?
Hayley: Você alguma vez já leu meu livejournal? Quando tudo isso estava acontecendo, como nós gostamos de chamar, a foto do peitinho, ou então a separação da banda ou a perda de amigos, eu me imaginei tendo uma pequena cafeteria na cidade de Franklin, TN, e então trabalhar lá todos os dias. Eu limparia mesas e lavaria a louça, a eles iam saber que eu era do Paramore e que isso foi um momento incrível da minha vida, mas ninguém iria dar a mínima para o que eu estava fazendo – eles iam apenas querer comer e tomar café.
E você teria um cachorro, certo?
Hayley: Meu Deus, simmm! Eu teria um Gold-endoodle. Eu ainda não sei qual seria o nome dele – eu ainda não pensei tão longe. Mas eu fantasio uma vida normal. É estranho porque eu passo tanto tempo da minha vida fantasiando sobre a vida que eu estou vivendo agora. Mas sim, eu escapo absolutamente para essa parte da minha mente quando as coisas estão sobrecarregadas ou tristes demais. Não é a vida mais fácil, mas eu sou totalmente agradecida por isso. Se isso significa que as pessoas são violar a minha privacidade e são um pouco curiosas, então você quer saber? Quem liga? Eu venho fazendo o que eu sempre quis na minha vida toda.

Eu estava assistindo ao VMA deste ano, e chegou um ponto que tinham umas 100 mulheres nuas engatinhando, literalmente, no chão. Como uma feminista, o que você acha do mundo da música pop hoje?
Hayley: Eu venho lutando contra com o VMA – lutando com as minhas opiniões sobre isso e com o que eu penso. Eu sei que isso é a percepção de milhões de pessoas que os produtores é que dizem para os artistas agirem de tal forma. Mas eu realmente gostaria de acreditar que a maioria dos artistas no dias de hoje tem a última palavra. Então, se esses artistas estão escolhendo vestir essas coisas, então eu acho que eles tem mais poder. Mas o que é mais chato pra mim é ver Justin Timberlake e Robin Thicke lançarem vídeos com basicamente apenas mulheres peladas – e isso passa do artístico, se trata de visualizações do Youtube. Eu estava lendo uma entrevista da Miley Cyrus falando sobre o clipe de “Wrecking Ball” e ela disse o quão ela estava animada para as pessoas verem isso porque era muito artístico. E eu só me pergunto: “quem está falando que vocês todos tem que tirar as suas roupas e isso, de repente, é arte?”. O corpo feminino é a coisa mais bonita do mundo, e eu posso ver como as pessoas dizem “Bem, isso é muito bonito e artístico.” Sim, e é. Mas no contexto correto. Mas falando nisso… as coisas estão tão confusas que agora nós podemos fazer um vídeo que são apenas duas mulheres se beijando de bunda de fora, e então vamos chamar isso de arte? Eu não quero vestir nada no palco. Essa apenas não sou eu. Eu também acho que os garotos não vão fazer isso tão cedo, embora eu acho que isso sim seria maravilhoso.
Você ainda se identificada como uma Cristã, e se sim, como isso funciona pra você estando no mundo pop?
Hayley: Eu me identifico sim como uma Cristã; de qualquer forma, eu vou dizer que as minhas crenças mudaram um pouco desde que eu era criança e estava aprendendo sobre as histórias da Bíblia e indo aos domingos para a escola. Eu percebi o quão mente-fechada minha educação era e o quão enraizada eu era na minha religião, era um relacionamento com Deus que eu digo que acredito. Tipo, eu não vou aparecer e bater em todos os seus amigos gays porque eu não acho que isso seja errado. Eu não sou esse tipo de Cristã. Mas eu nunca negaria a minha fé. É uma coisa que é só minha.
Depois da separação da banda, eu li uma carta que os irmãos Farro colocaram na internet. Nela, existem acusações que você forçou todos a serem apenas seus “ajudantes”. Mas isso soou, pra mim, como um lixo sexista contra uma mulher no poder. É raro as pessoas acusarem uma frontwoman por fazer isso.
Hayley: Sim, exatamente! E isso é uma coisa que eu lutei contra por um longo tempo na banda. Quando eu tinha 16 anos, eu não usava nem brilho labial para os fotógrafos porque eu, literalmente, só queria ser um dos garotos. Eu queria muito esconder isso. Aquela carta foi muito engraçada pra mim, porque as pessoas não sabem quantas coisas eu deixei de fazer em pra não se tornar “o show da Hayley”. Eu recusei muitas capas de revista, acordos de propaganda – coisas que, pra mim, significava destoar daquilo que na verdade é a minha prioridade e para o que o meu coração pertence, o Paramore. Muitas gravadoras queriam que eu fosse uma cantora solo – várias delas. Existiram outros rumos que eu poderia ter tomado, mas o que eu ia querer com isso? Eu amo estar em uma banda. Eu amo meus amigos. Eu cresci com esses caras.

Eu vi um episódio seu do MTV Cribs, e eu vi a sua coleção de bonecas da Lucille Ball. Qual a graça delas pra você?
Hayley: Eu não podia ver muito TV quando eu era pequena, mas eu podia ver Nick at Nite. Eu ia pra cama bem cedo todas as noites depois de assistir I Love Lucy. Eu amo mulheres engraçadas. Existem várias garotas divertidas e pais bobalhões em seriados, mas Lucy fez isso de uma forma muito diferente. Eu queria muito ser ela – eu queria ser confusa e misteriosa daquela forma. Ela realmente tem tudo a ver com o porquê do meu cabelo ser vermelho.
Qual é a primeira coisa que você faz quando chega em casa de pois uma turnê?
Hayley: Quando eu vou pra casa, eu só quero assistir TV, cozinhar, pintar ou decorar alguma coisa em casa. Essa é uma das coisas que me chamou atenção na BUST – aquelas dicas incríveis para decoração. Enquanto a gente estava morando em Los Angeles fazendo o nosso disco, eu ia para a casa da minha amiga Kiera todas as semanas para a Quinta-Feira da Decoração. Isso era tão bom pra gente, porque você podia esquecer de tudo e então conversar com as pessoas que você normalmente não conversa desde que se focou em alguma outra coisa. Eu nunca tive muitas amigas, mas foi uma época muito boa na minha vida; eu tenho que conhecer algumas amigas em Los Angeles e fazer algo de decoração. Eu estou muito viciada nesse blog chamado A Beautiful Mess.
Gente, eu amo aquele blog! As decorações delas são demais!
Hayley: Cara, eu sei! Eu nunca vou estar no nível da Martha Stewart. Eu tenho que superar isso. Isso faz parte da minha fantasia de uma vida normal. Na minha cabeça, existe um mundo onde eu sento em uma mesa e fico fazendo objetos de decoração o dia todo.
 Fonte: Paramore Brasil

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