segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Jeremy concede entrevista ao site alemão Bonedo.

Em entrevista para um site alemão chamado Bonedo”, Jeremy Davis fala sobre suas influências, técnicas, seus amados baixos s2, seus instrumentos preferidos e muito mais. Confira!


    
Em nosso país, Paramore é uma banda muito conhecida desde “Decode”, trilha sonora do filme Twilight. No entanto, foi após o lançamento do álbum Riot!, em 2007, que a banda ficou bastante famosa, tendo recebido certificado de platina, inclusive. Foi depois do lançamento do quarto álbum de estúdio deles, intitulado “Paramore” que a versatilidade de estilos e de musicalidade que a banda tem pôde ser percebida.
Conheci o baixista em uma entrevista bem-humorada antes do show que a banda fez em Dusseldorf, no Mitsubishi Electric Hall, para falar sobre as mudanças que houve no som da banda desde o primeiro CD e sobre as performances ao vivo.

 1)      Riot! 
Bonedo Alemanha: Jeremy, no geral, qual é seu som “pop-punk” favorito?
Jeremy: Bom, pra ser sincero, eu fiz muita coisa antes de vir pro Paramore, então… Tem um modelo de baixo que é de 1962, e é bem legal… Depois tem este outro aqui (mostrando o baixo), que é o que eu uso pra fazer o flip nas costas do Taylor, desde a era Riot! Mas este aqui eu já não uso muito, porém tive que me acostumar com ele novamente porque o usamos para o novo álbum. No “Paramore” nós usamos uns dois ou três baixos diferentes, inclusive um do modelo Fender Jazz, que eu mesmo construí. 
BA: Como soou pra você quando começaram a tocar ao vivo? 
J: Bom, eu sempre tive uma influência bem clássica, usava um amplificador 8×10 e um pedal de distorção Sansamp. Especialmente na era “The Final Riot!”, a tendência foi de começar a usar modelos de baixo Fender Jazz. Fico feliz por poder contar com a ajuda de alguns pedais de distorção, pois agora somos bons amigos e isso com certeza influenciou as mudanças no som que eu faço, tanto em estúdio quanto ao vivo. 
BA: Com o que você é melhor: palhetas ou dedos?
J: Na verdade, eu diria que com os dedos, porque foi assim que eu comecei. Na minha mente, é assim que um verdadeiro baixista deveria fazer, e me sinto mais confortável com isso, pois parece mais natural. Ao mesmo tempo, há certo poder quando você pensa em termos de “Paramore”, e ele me leva a escolher a palheta. Aquele “ataque” para um som mais progressivo simplesmente não acontece usando só os dedos. Eu amo intercalar o uso da palheta e dos dedos, mas com o Paramore eu definitivamente escolho usar palhetas.

2)      Brand New Eyes
BA: Neste álbum, você definitivamente fez sons mais distorcidos que antes. Você simplesmente quis ir dando continuidade a novos experimentos, ou usou isso como recurso emergencial para algumas músicas? 
J: Acredito que um pouco dos dois. Desde que estou no Paramore, posso ver que cada álbum soa bem diferente, tanto na maneira de escrever quanto de compor, até hoje. Correspondentemente, a diferença fica por conta dos sons graves. Até então, eu estava fazendo um som mais agressivo, que não é exatamente com o que todos os produtores gostam de trabalhar. Muitos preferem investir algum bom tempo no estúdio, fazendo sons mais graves. Neste álbum foram utilizados pedais Fuzz Visual Sound e depois o Sansamp foi se misturando. O som final veio dos produtores, e do computador. Desculpe (risos). 
BA: Você se envolve na composição de que forma? 
J: Isso varia de música para música, mas em geral eu faço isso sozinho, com alguma boa música como plano de fundo. 
BA: De onde vem isso, essa inspiração? Por algum acaso você voltou a estudar o baixo? 
J: Não, na verdade eu nunca estudei o instrumento, mas venho de uma família muito musical. Meu pai e meu irmão, por exemplo, tocam bateria.  Eu, quando criança, quis tocar guitarra, durante algum tempo. Mas então meu pai veio até mim e disse que o que eu estava tocando era um baixo, mas aí eu já havia pegado o jeito daquilo (risos). Eu tinha mais ou menos uns 10 anos de idade e já havia tocado com ele na igreja algumas vezes, uns sons mais puxados para o country e para o groovy. Meu pai me ensinou algumas notas, e o restante eu aprendi por mim mesmo. Na minha escola havia um projeto chamado “Crianças no Palco”, onde cada um aprendeu um instrumento. Da quarta a oitava série nós éramos divididos em grupos e umas duas ou três vezes por ano nossos pais poderiam nos assistir tocando. Vim para o rádio através de várias bandas diferentes e de fora da escola, particularmente através de uma chamada “The Factory”, que inclusive foi uma das bandas nas quais Hayley esteve comigo. Tínhamos 66 músicas em uma setlist de quatro horas e meia de show. Era insano. Mas nós também viajamos, então foram meus primeiros shows pagos. E a maioria com músicas que tocavam nas rádios! Lá eu também aprendi muita coisa. Mais tarde, já no Paramore, as coisas foram bem diferentes, então tive de me ajustar para tocar de uma maneira mais simples e orientada. Assim sendo, acho interessante que tenhamos construído esse novo álbum em volta destas raízes mais antigas.
BA: Você se descreveria mais como um baixista punk rock, pop ou funk? 
J: Uau… Eu não sei. Nem mesmo sei se algum dia já me encaixei nestas três categorias. Sou de Nashville, então sempre fui acostumado a tocar uma variedade de coisas em estúdio. Me vejo mais como um baixista que pode se adaptar bem. Temos uma música chamada “In The Mourning”, ela nunca foi lançada, apenas tocada ao vivo. Na verdade, é uma música country, bem lenta, mas eu amo todas as vezes em que a tocamos. Eu nunca toquei nada exatamente da mesma forma todas sempre, mas agora eu com certeza vario mais, especialmente com as músicas novas. Acho que estou me tornando um baixista melhor a cada dia que passa. Pra mim é muito interessante poder ser um baixista que dá um toque pessoal ao trabalho, e não alguém que simplesmente faz a sua parte e cumpre seu dever. 
3)      Paramore 
BA: Vamos falar sobre “Ain’t It Fun”, uma canção bem diferente daquilo que o Paramore já havia feito. Como isso aconteceu? 
J: Taylor, nosso guitarrista, foi quem a compôs. Na época estávamos sem baterista e havia apenas uma ranhura da música no computador. Depois que recebemos a canção da maneira como estava, não havia possibilidade de algo meio funk, meio groovy. Soou como algo que pudesse estar na moda, mas não como groovy. Não diria que trouxe o rádio para essa música, porque pareceria bem desajeitado (risos). Foram três pré-produções para este álbum na parte da bateria e Justin Medal-Johnsen (ex Nine Inch Nails) ajudou-nos eventualmente. Uma vez que ele mesmo é baixista, ele me sinalizou sobre a importância que o baixo teria nesse disco – o que foi incrível. Riley e eu praticamente moramos com ele durante a produção, e às vezes passávamos horas tentando achar o som perfeito no baixo. Eu estava bem nervoso porque tudo precisava sair certo, sabe. No final das contas isso foi bom porque me devolveu um pouco da confiança e mudou meu estilo em certo ponto. Riley é um verdadeiro fã de baixos do modelo Grabber e então me trouxe um vermelho. Meu Hofner 69 e meu Fender Jazz Bass nem mesmo foram usados! Justin tinha mais uma coleção inteira de outros modelos de baixo, mas o Grabber foi fácil de tocar e soou como o melhor! Acho que estou loucamente apaixonado por ele, agora. 
BA: Grabbers não são mais difíceis? Quero dizer, mais complicados que os modelos Jazz Bass? 
Riley (Técnico Auxiliar): Os baixos Grabber foram construídos em Nashville, assim que a Gibson havia se mudado de Michigan. Quatro de nossos instrumentos são de ébano agora. Lembro-me bem quando Jeremy disse que tocar o Grabber seria como tocar um baixo de 5 cordas… 
Jeremy: Não importa o som. Não importa se é algo mais progressivo, ou uma balada, o Grabber cai bem para tudo. É exatamente o baixo que eu estava procurando. 
BA: Você lembra quais pedais e amplificadores foram usados para a produção? 
J: Nós levamos uma eternidade pra descobrir o que queríamos usar. Riley, JMJ e eu conversamos sobre os milhares de amplificadores, e fizemos vários testes. Para “Fast In My Car” nós já havíamos pensado tanto, que eu sinceramente não lembro como chegamos a uma conclusão (risos). 
Riley: “Fast In My Car” tem um total de cinco faixas de baixo, uma diretamente no PCP e outra faixa limpa no DI, ou seja: tivemos dois canais de efeitos. Nós usamos um baixo MXR Octave com um pedal Green Russian Big Muff dos anos 90, além de um baixo Microsynth para as distorções mais “pegadas”, ambos em um conjunto neutro de amplificadores. 
BA: Jeremy, você tem usado amplificadores Ashdown. Por quê tomou esta decisão? 
J: Na verdade, sempre estive satisfeito com o som de um SVT. Além do fato de que os amplificadores Ashdown soam perfeitos, gostaria de tocar em alto-falantes de 15 polegadas, ao invés dos de 10. Você verá em seguida o que estou tentando explicar. 
BA: Ouvi dizer que você teve seu próprio PA e monitoramento, além do seu “centro de baixos”. 
J: Sim, isso mesmo (risos). Ashdown é uma grande empresa, eles me apoiam muito. Já tive um Ashdown há algum tempo atrás, mas nunca tinha passado muito tempo com ele, até então. Agora eles são meus favoritos, definitivamente. Tentamos com um ABM900 e um BTA400, e ficou perfeito. Estou muito feliz, tanto com os amplificadores quanto com as caixas que estamos usando (8×10 e 2×15, respectivamente) no palco. 
BA: Vocês já tocaram com grandes bateristas, tais como Zac Farro, Ilan Rubin e John Freese… 
J: Tivemos a sorte de poder estar com bateristas tão bons. Ilan Rubin tem feito um ótimo trabalho desde sempre, fez em nossa banda e em outras tantas (Nine Inch Nails, Lostprophets e Angels & Airwaves), sempre foi meu baterista predileto. Agora ele está com o Nine Inch Nails novamente, e eu vejo que todo o baixista vê que ele é muito inteligente, por estar sempre fazendo alusão a alguma coisa, sem copiar e parecer um robozinho. 
BA: Como surgiu a parceria com Aaron Gillespie? 
J: Nós o conhecemos durante a Warped Tour, quando a banda dele – na época o “The Almost” – estava abrindo shows para nós. Se bem me lembro, foi em 2009. Nunca pensei que ele pudesse tocar conosco um dia, mas ele é muito bom. Ele consegue tocar bem sob pressão, assim como Zac, nosso primeiro baterista. Acho que Aaron realmente o influenciou. É ótimo o fato de que ele não se leva muito a sério… É divertido dividir o palco com Aaron, basta olhar para os vídeos dele (risos).


 Fonte e Tradução: Paramore Brasil

Para ler a máteria original clique Aqui

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