sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Hayley fala sobre sexismo e Miley Cyrus em entrevista á Rolling Stone

Em uma entrevista super intressante para a  Rolling Stone , Hayley fala sobre como é ser mulher no mundo da música, turnês e a polêmica em torno de  Miley Cyrus.
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Hayley Williams do Paramore fala sobre acabar com o sexismo, seu estranho companheiro de turnê.

- A vocalista também dá sua opnião sobre Miley Cyrus e se sua banda irá explorar a música dance.
Por Marissa G. Muller
“É bom se esforçar e é sobre isso que nosso álbum inteiro foi – crescer e experimentar coisas novas.” É o que diz Hayley Williams do Paramore, sobre o álbum auto-intitulado que foi lançado recentemente, o qual a banda estará promovendo na mais nova turnê. Ela nos falou sobre a saída de dois membros fundadores – Zac e Josh Farro – e sobre como o novo disco vem abordando (liricamente) as pessoas que ainda estão presas à antiga formação, de forma que eles possam experimentar novos sons, que vão do pop ao gospel, sob orientação de Justin Medal-Johnsen (antigo Nine Inch Nails). Mas Williams também tem se aventurado em coisas que não dizem respeito somente ao Paramore este ano.
A garota de 24 anos recentemente convidada para fazer uma parceria com o DJ Zedd, em “Stay The Night” está atuando como embaixadora da Pinktober, campanha da marca Hard Rock, que tem intuito de conscientizar mulheres de todo o mundo sobre o problema que é o câncer de mama. No início desta semana, Williams falou com a Rolling Stone sobre o movimento recente de artistas feministas contra o sexismo, sua opinião sobre música dance e sobre as recentes posições do Paramore nas paradas de sucesso.


RS: Você tweetou recentemente alguns post de Chvrches’ Lauren Mayberry’s sobre misoginia* (Misoginia é o ódio, desprezo ou repulsa ao gênero feminino e às características a ele associadas (mulheres ou meninas). É paralelo à misandria, o ódio para com o sexo masculino. Misoginia é o antônimo de filoginia, que é o apreço, admiração ou amor pelas mulheres.). Entre o post dela, o post de Grimes – sobre sexismo -, e os comentários recentes da Lorde (sob uma aparente pressão), parece que cada vez mais artistas do sexo feminino estão saindo pra dar voz a suas lutas.

HW: Eu amo as postagens da Lauren e da Lorde. Acho muito legal que haja tantas garotas magníficas e mais velhas no mundo da música. Muita gente tem um ponto de vista diferente e é legal ver as pessoas unidas, sendo honestas sobre algo que realmente é importante ser falado. Estou tão animada em ver tudo isso vindo a tona porque é real. Até mesmo Mariel [Loveland], que é meu amigo e está na banda Candy Hearts postou a respeito, e isso invadiu minha mente por completo. Quando eu tinha 16 anos e começamos a fazer turnês, eu parecia um garoto de 12 anos: sem maquiagem, sutiã-sport, usando uma das camisetas dos rapazes, além de que eu poderia usar a mesma calça por praticamente um mês inteiro de forma tranquila. Eu nunca fui escandalosa ou provocativa, e mesmo assim, caras que eram cerca de uns 10 anos mais velhos que eu sempre me assediaram.
Lembro-me de quando tocamos no North Star Bar (na Filadélfia) onde um cara gritou “tira a camisa!”, provavelmente umas 10 vezes. Isso já havia acontecido alguma vezes, mas esse cara foi muito agressivo. Pela quinta ou sexta vez, percebi que era eu quem tinha o microfone ali, que acaba sendo uma espécie de poder. Não devo ficar quieta. As vezes é difícil fazer com que suas ações falem por você, mas naquele momento eu estava tipo “Não devo ligar pra isso”. Ele disse algo novamente, eu respondi, e então ele parou. Mas no final de tudo eu estava tipo “Não gosto de você, saia.” Então um rapaz que eu conhecia o tirou de lá.
RS: Você acha que a indústria tem sido lenta em encorajar essas conversas?

HW: Não acho que seja tudo por conta de indústria. É sobre encontrar aquela voz dentro de nós mesmos, e, por alguma razão, o ambiente está tornando tudo mais fácil. É como a carta de Sinead [O'Connor], que fala sobre como os homens estão fazendo dinheiro em cima de nós e sobre todas as escolhas que fazemos. Eu concordo e acredito nisso. Sempre foi assim e já é hora de começarmos a falar algumas coisas. Há muitas mulheres maravilhosas com ótimos pontos de vista e grandes coisas a se dizer que podem começar a encorajar outras, e inclusive as pessoas que vêm aos shows, sabe? Incutir algo nelas que não está sendo dito pela sociedade e pelas capas de revistas – dizer a elas que ter uma voz e ir contra a corrente é bom.
RS: Qual é o seu ponto de vista na discussão entre Sinead x Miley? Você está de algum lado?

HW: Não posso dizer que estou. Minha avó sempre diz: “Sempre há o lado dessa pessoa, e sempre há o lado daquela; no meio há um “cinza”.” Assim que li a carta de Sinead, eu na verdade rebloguei isso. Foi legal ver uma mulher mais velha expressando a sua preocupação e quando li mais uma vez, me pareceu genuíno. Ela esteve preocupada, então ela meio que jogou esse jogo, e depois decidiu não jogar mais. Não acho que ela iria machucar alguém intencionalmente, mas depois de ler algumas vezes, percebi que se o final fosse a meu respeito, eu estaria envergonhada porque se trata de alguém que eu admiro. Há um monte de sentimentos e emoções nisso, e é nessa parte que não pensamos quando retweetamos ou falamos sobre isso. Eu seria uma completa idiota se estivesse fazendo as coisas que Miley está fazendo agora, e não me sentiria autêntica, mas eu não posso sentar aqui e dizer com cem por cento de certeza que esta não é quem ela realmente é. Em algum momento você acaba deixando as pessoas serem quem elas são. É maluco porque tivemos um milhão de declarações sobre isso, mil conversas, e, ao analisarmos bem a questão, só se tratam de julgamentos que as pessoas fazem. E ela é só uma pessoa que está encontrando seu caminho e resistindo à tempestade que está se aproximando da Disney World. Acho que ela está se adaptando. Eu não conseguiria fazer isso. Portanto, não posso ficar de um dos lados do muro. Só estou tentando não ser uma completa idiota que fica julgando as pessoas.
RS: Houve muitas mudanças no Paramore. Neste ponto, você se considera como o centro da questão?

HW: Não, pois eu tenho estado com Jeremy e Taylor desde os meus 13 anos. Taylor não teve permissão pra estar na banda até que completasse os 17. A mãe dele fez com que ele terminasse o colegial. Mas ele sempre esteve escrevendo conosco. Ele tem uma música em cada um de nossos álbuns até este de agora, onde ele escreveu todas as músicas comigo. Quanto a Jeremy, nós estivemos em uma banda antes mesmo de estarmos no Paramore; nós tocávamos algo meio anos setenta, oitenta, num estilo funk. Paramore jamais poderia ser apenas sobre mim. Para as pessoas que perguntam “Porque mesmo é que vocês são uma banda?” … Nós sempre quisemos ser uma. Além do mais, somos amigos que têm as mesmas idéias sobre música, e sobre como ela deveria ser. Não consigo me imaginar estando em outra banda ou projeto. Foi divertido fazer a música com Zedd, mas meu coração é cem por cento do Paramore.
RS: Há alguma nova parceria vindo por aí?

HW: Não. É um tempo bem louco pra mim, porque tenho este projeto com Zedd e estou trabalhando na campanha do Outubro Rosa com a Hard Rock, para o Instituto de Pesquisas sobre o Câncer de Mama, e é muito importante eu poder estar fazendo parte disso. Como mulher que sou, nunca havia feito nada dessa importância antes. Estaremos trabalhando na turnê também. Me sinto pronta pra fazer outras coisas, mas o Paramore é minha prioridade.
RS: Você era fã de Zedd antes de “Stay The Night”?

HW: Sou uma grande fã dele. Porém não sei muita coisa sobre o mundo da música dance e eletrônica. Jeremy, nosso baixista, poderia sentar e conversar com você a respeito. Lembro de quando éramos mais novos e o Jeremy ainda dirigia seu antigo Honda. Ele meio que apostava corridas – ele chegou a ficar algumas horas preso uma vez, porque estava correndo e foi perseguido – e dizia que sempre que corria, a melhor trilha era alguma música Techno ou Dance-eletrônica daquelas bem malucas. Ele conhece mais que eu, mas quando ouço alguma música como “Clarity” – do Zedd – nas rádios, vejo que é incrível. É exatamente a mistura de pop e dance que eu gosto de ouvir. Zedd é um bom músico e eu não sei quantas pessoas sabem disso. Não sabia disso antes de ter trabalhado com ele em “Stay The Night”. Ele é um perfeccionista doido.
RS: Você consegue ver o Paramore escrevendo alguma música dance no futuro?

HW: Nós três gostamos de músicas diferentes. Jeremy gosta de batidas e coisas mais dance, Taylor prefere algo como Indie ou bandas mais pesadas, e eu gosto de algo como Punk Rock e Pop. Quando começamos a gravar este disco, havia vários elementos bem eletrônicos que nos animavam. Não havíamos feito isso antes, então tudo era muito novo. Estamos nesta banda há 10 anos, portanto, fazer algo diferente a esta altura é muito legal. O Dutch Uncles, que é uma banda de amigos nossos, tem um remix para “Ain’t It Fun”, e nós já estamos pensando em alguns outros artistas que possam fazer remixes dela.
RS: Falando em expandir o som de vocês, vocês chegaram a pensar em como é que este novo álbum repercutiria em arenas?

HW: Neste álbum estivemos um pouco menos preocupados em pensar como soaria ao vivo. No passado parecia que se não pudéssemos fazer tudo com dois guitarristas, um baixista e um baterista, não era algo real para nós. Então nós realmente abrimos nossa mente para que pudéssemos fazer algo que soasse bem. Achamos que saberíamos lidar com isso quando chegasse a hora. Taylor teve algumas idéias sobre como poderia ser antes mesmo de começarmos a trabalhar no disco, mas quando chegamos aos ensaios, percebemos que era mais difícil do que havíamos imaginado. Nós realmente nos esforçamos. Somos músicos melhores agora. Nós tornamos melhores.
RS: Recentemente, você abraçou a música pop. Como uma banda “punk” que está em uma grande gravadora, você sente alguma tensão por estar entre estes dois mundos?

HW: Viver sob tensão é legal, de certa forma. Nunca fazemos nada que não pareça real pra nós. Nós nunca jogaríamos tudo e todos fora para termos uma canção de grande sucesso. “Still Into You” tem sido uma canção incrível pra nós, e esta nós dando uma das experiências mais divertidas que já tivemos como banda. Então sim, estamos abraçando alguns elementos “pop”, porém ainda dentro do contexto “Paramore” de ser. É muito legal podermos estar em duas realidades diferentes, e ter a chance de escolher o que gostamos e o que não gostamos de fazer.

RS: Semana que vem vocês estarão saindo em turnê, uma daquelas que passará por arenas e tudo o mais. Há algum pedido essencial?

HW: A última vez em que mudamos nossa lista de exigências foi quando eu e Taylor começamos a comer menos glúten, então pedimos lanches livres de glúten. Mas, quando éramos uma banda um pouco mais “brincalhona”, costumávamos colocar algum item surpresa na lista, algo como um cachorro, com o qual pudéssemos passear. Ninguém nunca nos trouxe um (risos).

Fonte: Paramore Brasil

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