sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Entrevista completa para a DIY: “Essa não é só mais uma banda… esse é o Paramore”

Em Outubro, o Paramore é o destaque da revista DIY com quase 10 páginas de uma das reportagens mais interessantes que a banda já fez este ano. Jeremy, Hayley e Taylor conversaram com os jornalistas da revista e de quebra participaram de uma sessão de fotos que está simplesmente incrível e impecável. Confira:

Ao longo da reportagem, eles conversam sobre o amadurecimento que a banda teve ao longo dos anos e também revelam que hoje, depois da saída dos irmãos Farro, não sentem mais vergonha de mostrar as suas influências. Afinal, qual o problema de um disco um pouco mais pop já que nem todos cresceram ouvindo punk rock? Eles declaram que estão muito satisfeitos com o novo álbum e que compor o mesmo foi libertador.


O que não te mata, te fortalece. Por um momento o futuro pareceu incerto, mas olha só para eles agora: o grande álbum auto-intitulado está acabando com os seus inimigos.
Essa não é só mais uma banda… Esse é o PARAMORE.

Para o Paramore, a última década não foi fácil. Nascidos em um mundo de pop rock e agenciados pela Fueled By Ramen, os cinco integrantes da banda de Nashville, Tennessee, começaram as suas carreiras muito jovens nos holofotes. E daquele momento em diante, as coisas só cresceram. De fato, no momento que a líder Hayley Williams completou 21 anos, eles já tinham lançado três álbuns de estúdio e dois já tinham ganhado o certificado de platina pelo mundo todo.
Passando a maior parte da sua adolescência na estrada, a sua juventude foi documentada com reviews, entrevistas e sessões de fotos, os quais gravaram cada movimento deles. Cada passo foi divulgado na internet, escrito em revistas e vendidos em lojas de discos. A maior parte do tempo isso era tudo o que eles queriam, mas então isso começou a ficar inviável.
A coisa sobre o Paramore é que eles não são estranhos. Eles foram forçados a crescer, e perderam três membros da banda (Jeremy Davis saiu, mas não foi por muito tempo) para a tentação da “vida real” que eles perderam nesse tempo de banda. Por um momento eles estavam prestes a triunfar, mas conforme 2010 foi acabando, as coisas foram ficando piores para eles.

O que veio a seguir foi a saída do guitarrista Josh Farro e seu irmão baterista, Zac Farro, a qual jornalistas tentaram desfazer a constante afirmação de Hayley Williams de que ‘Paramore é uma banda’, não um veículo para sua ambição pessoal. Ao invés disso tudo enfraquecer a banda, só os fez mais fortes, garantindo a liberdade para começar do zero. O resultado: um dos álbuns mais legais deste ano.
“A cada disco você sabe que tem que haver alguma mudança,” o guitarrista Taylor York diz. Ele vem sendo amigo da banda por muitos anos e finalmente se juntou a formação oficial como guitarrista em 2007. “Tinham que acontecer mudanças e progressos, e especialmente na nossa situação nós não podíamos continuar fazendo o que fazíamos no passado. Nós fomos forçados a um novo território.”
“Num primeiro momento, nós estávamos muito relutantes para fazer isso. Nós fizemos sucesso pelo que sempre fizemos, mas nós vimos que tínhamos que passar dos limites e explorar outros lados. Isso foi muito assustador, mas também muito libertador. Nós escrevemos músicas que nós realmente acreditamos e isso foi uma experiência incrivelmente libertadora e assustadora ao mesmo tempo.”
Jogando fora o livro de regras da banda – agora só com três membros – eles começaram a trabalhar com o baixista e produtor Justin Meldal-Johnsen, o qual os encorajou para tentar novas coisas. A banda abandonou suas estruturas tradicionais e passou por um bloqueio da hora de composição. Mas Hayley finalmente se sentiu confiante para fazer isso e ganhou conforto abraçando as músicas que ela escrevia e, você sabe… que gostava.

“Com ‘Still Into You’, eu me assustei quando estávamos escrevendo ela e eu comecei com a melodia e a letra para o refrão,” ela ri. “O verso não me assustou, o verso me animou. Foi animador o suficiente para que isso parecesse com um novo estilo, mas isso ainda era muito pegajoso, mas o refrão… eu gostei muito. ‘Isso realmente é uma música para o Paramore. Isso é muito chiclete!’ E Taylor estava tipo: ‘Bem, você gosta disso?’ ‘Eu amo isso.’ E é nesse ponto que você começa a parar de se importar. Você não questiona isso uma vez que já aconteceu umas duas ou três vezes. Eu estava me questionando quando eu não deveria. Eu acho que essa foi uma parte importante para o nosso crescimento.”
“Através dos últimos anos, isso foi sobre descobrir que nós amamos o que amamos. Yeah, eu cresci com N’Sync e Britney Spears, e eu não realmente não me importo. Eu ainda acabei numa banda que eu acho que é incrível. Todas essas coisas só me fizeram uma pessoa única, a única que eu poderia ser. E as coisas que Jeremy ouvia – ele cresceu ouvindo muito hip hop -, mas eu não acho que nenhum de nós cresceu ouvindo punk rock. Nenhum de nós cresceu ouvindo Black Flag. Eu acho que nós crescemos e nos demos conta disso: ‘Ah, ok, é estúpido ser pretensioso sobre a música.’ Você só gosta do que gosta, a se você gosta, quem se importa?”
Isso foi uma coisa que Taylor concorda: eles estavam aptos para aceitar suas influências, eles estavam prontos para usar isso para ampliar seus horizontes. “Foi estranho terminar uma música e pensar: ‘Acho que isso é muito pegajoso. Isso é muito funk, Jeremy está fazendo solos no baixo, mas eu amo isso.’ No fim do dia, tudo o que podemos fazer é escrever músicas que nós acreditamos. Quando estamos no palco, as pessoas acreditando ou não, então nós temos que fazer algo para não ficar para trás. Isso foi muito renovador, e eu acho que todos nós ganhamos muito mais confiança sabendo que podemos fazer outras coisas. Nós podíamos falar sobre as influências que sempre tivemos, mas nunca fomos capazes de mostrar ao público.”
Com uma pegada dramática nos mecanismos de crescimento, sempre existiram preocupações sobre as coisas não ficarem iguais ao vivo como em estúdio. Mas isso não era tudo o que eles tinham para lidar; passar por um rompimento é difícil, e pela primeira vez em suas carreiras, eles decidiram que precisavam ir devagar. “O tempo que passamos descansando foi mais pela nossa sanidade,” diz Hayley Williams. Depois que a notícia veio a tona em 2010, a banda foi passar um tempo em casa. Eles passaram quase um ano trabalhando no seu álbum auto-intitulado. “Eu digo, isso foi difícil. Você ter que ficar com você mesmo pela primeira vez.”
“Nós tivemos que aprender como ser pessoas normais.” adiciona o baixista, Jeremy Davis. “nós divertir com nós mesmos e ficar de boa com o que nós somos. Isso é uma coisa que todos nós realmente precisávamos no momento. Nós estávamos constantemente tentando ir devagar com tudo isso, o que era muito importante.” “Nós pusemos muita pressão em nós mesmos” adiciona York. “e sentimos a pressão do lado de fora também. Isso é estranho, nós precisávamos de um tempo para descansar, mas ao mesmo tempo, você começa a pensa sobre a sua carreira. Aí você pensa ‘Nós estamos tendo muito tempo para descansar. As pessoas não se esquecer da gente?’
Foi essa distância que provocou uma realização em Williams sobre o seu próprio crescimento através dos anos. “Eu acho que nós não somos tão velhos, mas nós não temos mais 16 ou 18 anos. Eu tenho uma irmã de 18 anos e eu acho que ela realmente está se tornando a pessoa que ela quer ser pelo resto da sua vida. Eu estou pensando em mim com 18. Nós já tínhamos o ‘Riot!’, o qual foi um grande sucesso, mas quando eu me recordo de quem eu era com 18 anos, eu não acho que eu tinha ideia do que eu queria, ou sobre as coisas que eu realmente me importava tanto quanto com qualquer outra pessoa com 18 ou 19 anos que está se formando e indo para o mundo real pela primeira vez.
“As vezes eu acho que estar aqui fora pode ser como estar em uma bolha que então estourou. Quando eu estava em casa, era como ‘Bem… eu não sei o que vou fazer com isso…’, mas nós precisávamos. Isso foi importante. Nós passamos tempo o suficiente descansando antes de começar a fazer o novo disco.”
O tempo que eles passaram longe da estrada foi uma bênção disfarçada. Embora seus esforços prévios musicalmente foram enraizados no que algumas vezes seja uma ladainha monótona da turnê, o ‘Paramore’ continua com um álbum que Williams declara ser sobre ‘a vida’. “É difícil fazer uma turnê! Eu digo, é divertido, mas é como ser uma criança. Crescendo e querendo estar em uma banda, mesmo além de fazer música, querendo sair com os seus amigos o tempo tempo. Você não pensa sobre as coisas chatas que acontecem porque isso é difícil.”

Nós escrevemos um álbum inteiro sobre como é estar em uma banda, fazendo turnê pelo mundo e se estressar com os outros. O CD se chama ‘Brand New Eyes’ e você pode comprar online. Mas isso tudo é passado e eu não quero fazer um ‘Brand New Eyes: parte 2′. Eu não quero ser aquela banda novamente. O disco que fizemos agora [PARAMORE] é sobre a vida. Todos podem se identificar com isso: você não precisa estar em uma banda, você só tem que ter pulso pra entender. Eu acho que ir pra casa, acordar, e tentar redefinir o propósito da sua vida é o que todos fazem, todos os dias. Crescer, deixando as coisas que machucam de lado, as que não machucam também, mas simplesmente saber que você deve se desapegar. É sobre isso que eu quero escrever pra sempre.
Independentemente dos novos rumos musicais, da mudança na linha de frente [LINE-UP], ou os problemas com os ex-membros, o quarto álbum da banda tem sido, sem dúvidas, o de maior sucesso até agora, tendo aterrissado diretamente em primeiro lugar nas paradas mundiais, trazendo consigo uma nova base de fãs.
“É algo que sempre quisemos, ter um público mais diverso,” afirma Davis. “Queremos que todos que vão ao shows saiam maravilhados, ouçam boa música e e façam amizades pra vida. Acredito que nossos sejam assim, mas há um novo lado. Há um público mais diverso, pessoas mais velhas – literalmente pessoas de todos os lugares – pessoas que estão vindo para esses shows, que eu acho muito legal. Muitas vezes os fãs antigos também vão, mas eles não são exatamente assim [CONFUSO]. Eles estão abrindo os braços para recebê-los. Talvez parte deste novo álbum – se eles não estão por dentro dos antigos – tenha um pouco de tudo para todo mundo. Acredito que tenha sido isso que tentamos passar”
Apesar de todas as dificuldades, crescimento e mudanças em suas próprias vidas, uma coisa tem sido clara para a banda: se toda a jornada deles até hoje os ensinou alguma coisa, foi sobre a importância que os fãs deles tem. Hayley passou a maior parte do início da carreira rabiscando as palavras “Paramore é uma banda” na frente de suas camisetas. Quando o trio foi deixado para recolher as peças que restaram a partir da saída dos irmãos Farro, ela foi mais além com “Paramore ainda é uma banda”. Não é só isso, porém. Depois de tudo isso, eles são muito mais.
“Estamos realmente orgulhosos disso” – inicia Williams. “Acho que é uma das coisas mais estranhas pensar voltar e pensar em tudo. Obviamente, nos começamos nossas turnês nos EUA. Me lembro da primeira vez que fomos à Califórnia, foi algo bem grande. Nós dirigimos do Tennessee à San Diego, ou à algum outro lugar. Aquelas pessoas que estavam no show, elas ainda vêm, até hoje. Falo com eles por email agora. Eles são muito próximos a nós porque não seríamos o que somos se eles não tivessem comprado o ingresso de nosso primeiro show.
“Penso nisso o tempo todo. Nós estivemos em Manchester e eu vi essa foto de nossa platéia ao fundo, – nessa arena enorme – e, sabe, as pessoas parecem formigas nela! O palco parece ainda menor! Então eu estava pensando que, na primeira vez em que tocamos em Manchester, uma garota chamada Ellen, ela está bem na frente do palco, em um lugar bem pequeno, gritando “Heeey! Eu trabalho na HMV!” Ela gritava para mim, querendo minha atenção, e eu estava tipo “O quê?!” Então ela ” Eu trabalho na HMV e eu digo às pessoas quem comprem o álbum de vocês todos os dias”. Conversei com ela depois do show e por três anos seguintes, cada vez que estávamos na cidade, ela nos levava para lugares como Afflecks, ou algum lugar para comermos e fazermos compras. Então quando estávamos em Manchester, fiquei imaginando onde estaria Ellen. Depois de termos tirado uns dias de folga, eu ainda não tinha ouvido falar dela, nem mesmo a visto, mas nós não esquecemos essas pessoas.”

Mesmo após todos os problemas e mágoas, os fãs de Paramore se mantiveram por perto, e juntos, eles conseguiram juntar as peças quebradas que haviam restado. Porque? Porque eles “são” Paramore. “Isso é algo que,” interpõe York, “Mesmo nesta turnê, acho todos nós fomos lembrados. Não é nem mesmo algo sobre nós. Então frequentemente apenas pela forma como isso tudo funciona, – você dá entrevistas, e faz fotos novas, e etc – e você acaba sendo levado a pensar que é algo sobre nós mesmos, mas é muito bom ser lembrado que é tudo por causa de nossos fãs. Isso é sobre outras pessoas. É sobre a conexão que nossa música tem com as pessoas, que consegue falar com eles de alguma maneira. Quer seja em nosso álbum, ou no show. Honestamente, nossos fãs importam muito mais pra nós agora. Eles sempre foram, mas conforme vamos ficando mais velhos e vemos a grandiosidade disso [...] é muito divertido tocar com os amigos, mas agora sentimos que há um propósito, mais do que nunca"

Fonte: Paramore Brasil

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